Maria José Coelho_Exercício 3_PARADOXO

arlindoalface, Bitmap, TextoConceito: Alter-ego / o duplo. Texto:  “(des)ENCONTRO”

A imagem dos dois ‘Arlindos’ a olharem um para o outro, já de si constitui um paradoxo: “vermo-nos” a nós próprios não é possível pois apenas podemos visualizar o nosso reflexo numa superfície. A nossa imagem reflectida é entendida como uma expansão de nós próprios. A questão colocada por esta imagem remete-nos, então, para o lugar do duplo, como identidade secreta e cuja mensagem pode ser extrema: o duplo quer dizer o estranho que está entre eles. Os dois não são reais, são duas imagens projectadas pela mente do seu criador.

A dualidade está patente no duplo, ou alter-ego como outra personalidade dele mesmo. Neste caso, é um substituto em que o Arlindo pode delegar a sua representação, na certeza de que ele pensará e agirá como ele pensaria ou agiria, como se fosse ele próprio. Mas não há nada mais ambíguo do que a realidade.

Assim, o (des)ENCONTRO é o paradoxo encontrado, pois as duas personagens do Arlindo estão a “olhar-se” e não se “veem”. Procuram-se mas não se encontram. O espelho à esquerda, vazio e sem qualquer reflexo das duas identidades, assim o determina.

AnabelaCardeira_2 - Cópia - Cópia

Conceito: a Presença. Texto: “Finjo ser. Quero ser. Sou.”

Para a imagem da Gioconda sob a égide do Paradoxo, constato que a Anabela se denuncia a si própria na imagem alterada, na medida em que o tratamento digital incidiu essencialmente no olhar da personagem pintada por Leonardo da Vinci. Verifica-se uma transferência da Presença, que se incorpora na imagem enigmática como desejo de mistério, vendo o mundo através da figura retratada. Houve um deslocamento do lugar do observador para o lugar da pintura, para nos fixar através do outro, a salvo de qualquer identificação, como se fosse invisível e pudesse ver pelo corpo e pensar pela consciência do outro.

Corpo Ausente, Alma Presente. A Presença materializa-se ao mesmo tempo que se desvanece, num jogo com o espectador que a assiste e observa. Fingir que é, e querer ser, equivale à Presença. O corpo apenas pode estar presente numa existência que se afirma junto de nós, o que não acontece com a Anabela-Gioconda, e a alma, imaterial mas presente, fixa-nos, retendo a ligação com o outro e puxando-nos para dentro do quadro.

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